sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Citações

“Um aparelho de televisão é um receptor passivo, uma extremidade de rede, uma periferia. Um computador é um instrumento de troca, de produção e de estocagem de informações. Ao canalizar e entrelaçar múltiplos fluxos torna-se um centro virtual, instrumento de PODER”.

Pierre Lévy,
Filósofo e Engenheiro – Universidade de Paris VIII

“(...) se as novas tecnologias podem proporcionar um ideal para a comunicação democrática (...) elas podem, também, sustentar formas extremas de centralização de PODER"

"Além disso, é preciso levar em consideração que, para fortalecer a democracia, são necessárias não apenas estruturas comunicacionais eficientes, ou instituições propícias à participação, mas também devem estar presentes a motivação correta, o interesse e a disponibilidade dos próprios cidadãos para se engajar em debates”.

Rousiley Celi Moreira Maia,
Professora adjunta no Departamento de Comunicação Social da UFMG e doutora em ciência política pela University of Nottingham.

Você contribui para a democratização da comunicação utilizando a Internet? Quais são suas fontes de informação na Web? Você fortalece os oligopólios da comunicação ou fortalece a democratização? Você dá ouvidos aos movimentos sociais na Web? Os movimentos sociais estão discursando em uma gigantesca tribuna vazia? Você se interessa pelos debates políticos?

O seu centro virtual - conhecido popularmente como computador pessoal - é uma fonte de poder ou de entretenimento?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Nem só de circo...

Você tem fome de quê? Você tem sede de quê? O que você está ingerindo meu caro amigo onívoro, vegetariano, ovo-lactovegetariano ou simplesmente telespectador-internauta? Com a efervescência das mídias digitais e novos espaços de comunicação como o youtube, os nossos olhos estão abertos – e nossas bocas também – a todo tipo de informação. Porém, mesmo com toda a liberdade prometida pela esfera pública internet, ainda corremos o risco de nos tornarmos obesos se ingerirmos qualquer informação que nos é oferecida. “Não aceite doce de estranhos menino (a)!”



Vídeo extraído do Youtube. Trabalho acadêmico sobre a questão ética da Responsabilidade Social do Jornalismo, com abordagem às polêmicas de alienação e manipulação. Filme realizado com colagem de imagens tratadas, baseado no formato usado por Jorge Furtado em 'Ilha das Flores'. De: Eduardo Honda, Gustavo Villas Boas, Luiz Ramos e Mateus Spadari


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O processo – parte III

Constituição brasileira de 1988:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
V - o pluralismo político
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença
Art. 220º A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. § 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

O processo – parte II

Três anos após a liminar que tirou a comunidade virtual Eu odeio o populista do Wlad do ar, o criador da comunidade, o estudante de publicidade e propaganda da UFPA Filipe Corrêa de Almeida, recebeu intimação para prestar esclarecimentos na Superintendência da Polícia Federal em Belém. No último dia 7, Filipe foi interrogado pela delegada Renata Azevedo de Souza. Ele afirmou que a comunidade não existe mais e que não se arrependeu de tê-la criado, uma vez que apenas emitiu sua opinião a respeito da conduta do deputado Wladmir Costa na vida pública.

Definição do dicionário Aurélio para o termo populismo:
[De popul(o)- + -ismo.] S. m. 1. Gênero literário que procura os seus temas no povo. 2. Brás. Simpatia pelo povo. 3. Brás. Política fundada no aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo.

Desde 1989, Wladimir Costa comemora o seu aniversário com uma grande festa, na qual realiza o tradicional “derrame de gelada e churrasquinho”, coisa muito apreciada pelas classes sociais de menor poder aquisitivo do Pará.

O processo - parte I

Notícia publicada no blog “+ Direito da Informática”, em 26 de novembro de 2005:

“O deputado federal Wladimir Afonso da Costa Rabelo (PMDB-PA) conseguiu liminar para que o Google retire do ar as comunidades do Orkut Eu Tenho Vergonha do Wlad, Odiamos o Wlad e Eu Odeio o Populista do Wald (...)
A decisão é da juíza Gisele Mendes Camarço, do Juizado Especial Cível de Jurunas, no Estado do Pará. Ela determinou, ainda, que sejam tiradas do ar todas as referências ofensivas ao parlamentar e qualquer imagem dele. Se a decisão não for cumprida, Google e Orkut terão de pagar multa diária de R$ 1 mil. Cabe recurso.
A defesa do deputado, representado pelo advogado Marcos Eiró, entrou com pedido de Tutela Antecipada para obrigar o Google a retirar do ar o conteúdo ofensivo, as fotos do deputado e a fornecer os dados pessoais dos responsáveis pela comunidade. A juíza concedeu liminar apenas para tirar as comunidades do ar.
Ela considerou inviável a solicitação do deputado de obrigar o Google a fornecer os dados dos responsáveis pela comunidade, "uma vez que há a garantia do sigilo de dados". Gisele Mendes observou que o usuário do Orkut tem todo o direito de se "manifestar e aderir às comunidades que bem entender e até de acessar o que lhe convir na internet, uma vez que não há controle de tais acessos. Ademais, não havendo legislação que discipline tais situações, deve-se proceder com cautela nas medidas restritivas em demasia".
O advogado Marcos Eiró afirmou que está preparando queixa-crime por violação à imagem e à honra do parlamentar contra os donos das comunidades (...)”.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O que sai da tua cartola?

Quatro anos e muita gente nova depois, Belém vai sediar mais um Erecom, entre 17 e 21 de abril de 2009, no campus Guamá da UFPA. Estamos apenas começando a construir o Erecom Pará 2009: “Comunicação na Sociedade Digital”.
O encontro pretende reunir estudantes de Comunicação Social do Pará, Amazonas, Maranhão, Amapá, Rondônia, Roraima, Acre, Tocantins, Piauí e Ceará, para afirmar a necessidade de debater a sociedade digital, já que vivemos um período de implementação de novíssimas políticas de comunicação (como a escolha de um modelo de rádio e TV digital para o Brasil), de redefinições das fronteiras culturais e redimensionamento do público e do privado, tudo isso impulsionado pela presença das mídias digitais.
Além de debates sobre o fenômeno digital, o Erecom também será constituído de mesas redondas, palestras e grupos de discussão sobre democratização da comunicação, qualidade de formação em comunicação, comunicação e cultura popular e combate às opressões. No Erecom também haverá espaço para a troca de experiências entre os estudantes de comunicação social e os movimentos sociais.
As transformações estão em curso, e é preciso discuti-las. Afinal, o que essa nova conjuntura traz de novo e o que ela altera em nossa sociedade? Qual o papel do profissional de comunicação diante desse novo contexto? Estamos, de fato, preparados para tantas mudanças? Quando falamos desse assunto, o que sai da tua cartola?

A sociedade digital...

Até um dia desses éramos uma sociedade de seres das cavernas, tínhamos o corpo coberto de pelugem, não conhecíamos o fogo e não andávamos sobre duas pernas. O tempo passou, dominamos a pedra lascada, o ferro, a escrita. E dominamos, sobretudo, uns aos outros: construímos armas de destruição em massa, dividimos e redividimos o planeta ao longo de guerras quentes e frias. Passeamos na lua, afundamos o Titanic, inventamos a coca-cola, o engarrafamento, o aquecimento global, o stress, o computador.
Criamos ferramentas que nos levam à conquista de um espaço que, fisicamente, sequer existe, mas é capaz de salvar ou arruinar milhões de vidas. Enfim, chegamos a uma nova configuração de sociedade, a qual ainda nem conhecemos muito bem. Precisamos discuti-la, analisá-la, criticá-la, democratizá-la. Precisamos agir!




“Vivemos no mundo da Técnica como os antigos viviam no mundo mágico. Não o entendemos. Mas é precisamente o retorno a um certo mundo de Titãs que permite uma espécie de crença na salvação da humanidade pela técnica (...) Ora, o problema fundamental está em perceber se existe uma forma de humanizar a técnica e tecnicizar o homem sem anular, pura e simplesmente, a humanidade”*.

*Maria Irene Aparício,
professora Doutora do programa de Mestrado Interdisciplinar em Educação, Administração e Comunicação da Universidade São Marcos.